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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Campanha Contra Transgenicos

A FEAB (Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil) e a ABEEF (Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal) lançam a campanha Brasil Livre dos Transgênicos, em oposição às práticas do CNTBio - Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - que segundo os manifestantes ’segue a racionalidade do mercado’ legalizando a comercialização de sementes transgênicas sem levantar uma panorama geral de custos e benefícios que a medida traz à sociedade.
caderno de texto da campanha
Leia abaixo as 10 razões para dizer NÂO aos transgênicos

1. Não precisamos dessas sementes na nossa agricultura – depois de 10 anos de uso comercial em outros países só dois tipos de transgênicos foram criados. Um é resistente a herbicidas e outro mata lagartas – o Bt. Os problemas que os agricultores brasileiros enfrentam no dia a dia são outros e bem mais complexos. Por exemplo: comercialização, crédito e assistência técnica adequados. São problemas que não podem ser resolvidos por esses dois tipos de transgênicos.
2. Seus riscos nunca foram devidamente testados – as empresas e os pesquisadores que promovem os transgênicos tentam convencer a população que eles são iguais aos outros alimentos. Tentam assim dizer que não precisam ser testados. As pesquisas feitas antes da liberação comercial não avaliam questões importantes sobre impactos para a saúde humana e o meio ambiente. Testes rigorosos sobre alergias e segurança alimentar devem ser feitos antes da liberação.
3. A CTNBio não garante a segurança desses produtos – a lei de Biossegurança criou a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – a CTNBio. Esta comissão é formada por 27 pesquisadores indicados pelo governo e pela sociedade civil. A maioria dos integrantes da CTNBio trabalha com transgênicos e tem interesse que eles sejam rapidamente liberados. Essa visão prejudica avaliações de risco que garantam nossa saúde e meio ambiente.
4. Maior uso de agrotóxicos – De cada 10 hectares plantados com transgênicos no mundo, quase 7 deles são com soja, milho, algodão ou canola resistentes a herbicida. O uso repetido de um mesmo herbicida tem levado ao aparecimento de plantas resistentes. Essas plantas que não são mais controladas pelo herbicida levam o produtor a aumentar a dose do agrotóxico ou usar outros produtos mais tóxicos. Na Argentina, o uso de Roundup cresceu 86% com a soja transgênica. Nos Estados Unidos, cresceu mais de 70%. Lucra a Monsanto, que vende a semente e o herbicida.
5. Criação de novas pragas – os transgênicos do tipo Bt produzem uma toxina em todas as partes da planta que serve para controlar lagartas. Estudos já mostraram que a quantidade de toxina Bt varia na planta ao longo do ciclo da cultura. Isso pode criar insetos resistentes ao Bt. Há ainda o risco de que outros insetos também morram ao se alimentar das plantas Bt. Isso pode prejudicar o equilíbrio ecológico e o controle biológico de pragas. Como as plantas Bt controlam só alguns insetos, elas não eliminam o uso de inseticidas.
6. Contaminação das variedades crioulas – a experiência tem mostrado que é muito difícil manter os transgênicos sob controle depois que eles são liberados. No caso da soja, a contaminação da produção orgânica e convencional vem acontecendo desde a semente até a armazenagem. O uso de máquinas e colhedeiras pode misturar as sementes. No caso do milho o problema é ainda muito mais grave. Além das máquinas e caminhões, a contaminação pode acontecer pelo vento, que carrega o pólen a distâncias muito grandes. Ninguém sabe ao certo o que acontece no longo prazo com as sementes contaminadas. O certo é que o agricultor pode perder o direito de escolher o que plantar e o que colher. E se a contaminação se espalha, o consumidor perde o direito de escolher o que comprar.
7. As sementes são patenteadas – todo agricultor que planta semente transgênica deve pagar uma taxa para a empresa dona da semente. Essa taxa é conhecida como royalty. Ao comprar a semente o agricultor assina um contrato com a empresa assumindo o compromisso de não vender, não guardar e não plantar no ano seguinte as sementes colhidas. O contrato também coloca um limite de produção por hectare de acordo com o cultivo e a região do produtor. A empresa faz isso como forma de garantir que o agricultor terá que comprar suas sementes no próximo ano. Com as sementes transgênicas o agricultor fica totalmente dependente de empresas como Monsanto e Syngenta.
8. Controle de multinacionais – Apenas 4 empresas multinacionais dominam quase todo o mercado de transgênicos no mundo e 49% de todo o mercado de sementes. Com tanto poder em mãos essas empresas podem direcionar inclusive os programas de melhoramento da Embrapa e de instituições estaduais de pesquisa. Isso pode reduzir a oferta de sementes não-transgênicas no mercado e deixar os produtores sem opção.
9. Os alimentos não são rotulados – Desde 2003 o Brasil tem um decreto sobre rotulagem. Todo alimento com mais de 1% de transgênico deve ser rotulado. Infelizmente as empresas não estão cumprindo a lei. O governo não fiscaliza. Os consumidores estão saindo no prejuízo pois podem estar levando transgênicos para casa sem saber.
10. Há caminhos mais sustentáveis para a agricultura – A agroecologia é um movimento que cresce cada vez mais no Brasil inteiro. As experiências com agroecologia vêm mostrando ótimos resultados na redução de custos, no aumento e na diversificação da produção e na segurança alimentar das famílias. A agroecologia incorpora novas técnicas ao mesmo tempo em que valoriza e resgata o saber camponês. As sementes crioulas são adaptadas aos sistemas agroecológicos e deixam o agricultor livre da dependência da indústria de insumos e sementes.

domingo, 3 de agosto de 2008

Bandeira - Agroecologia

Desde o ano de 1981 a Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil (FEAB) promove discussões e organiza os grupos de agroecologia em torna desta bandeira de luta. Num primeiro momento a FEAB, junto a outras entidades organizou quatro Encontros Nacionais de Agricultura Alternativa (EBAA) na década de 80. Após a FEAB criou os Encontros Regionais de Agricultura Alternativa (ERAA) que tinha como um dos objetivos servir de preparação para os EBAA’s. Não houve mais seqüência dos EBAAs , porém era necessário de que acontecesse um evento nacional a fim de consolidar os avanços dos ERAAs , o que se viabilizou com a realização do Seminário Nacional de Agricultura Alternativa (1994).
Hoje a FEAB debate e coloca em prática seu acumulo, através do Núcleo de Trabalho Permanente de Agroecologia e também dos vários grupos de Agroecologia que compõe a federação, além dos espaços de discussão como os Encontros Regionais de Agroecologia e o Congresso Nacional dos Estudantes de Agronomia.
A partir dos vários espaços em que se avaliou o Modelo de Desenvolvimento Agrário e a formação dos(as) profissionais de Agronomia, surgiram varias iniciativas que ora contestavam este modelo, ora propunham outro modelo de desenvolvimento baseado na Agroecologia e na distribuição de renda.
A Agroecologia, de forma restrita poderia ser compreendida como a união da Ecologia com a Agricultura, como diria Altieri (1987), a teoria ecológica aplicada ao manejo de sistemas agrícolas. No entanto, compreendemos a agroecologia num sentido muito mais amplo, onde haja qualidade de vida para todos, relacionando-a com fatores socioeconômicos, políticos, culturais e ambientais, de todas as pessoas envolvidas.È necessária à mudança imediata deste Modelo de Desenvolvimento Agrário, construindo um novo paradigma, da qual agroecologia é um dos alicerces já comprovados.