A FEAB E SUAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS
Buenos días America!
“Despertei sussurrando uma nova canção, em minha janela já há um Sol. Bom dia América! Como estás bem! Bom dia Brasil, meu gigante, siga em frente...” (Buenos días America – Pablo Milanes)
A discussão a respeito das Relações Internacionais entre os estudantes de agronomia nos remete aos anos 60, quando o Diretório Central de Estudantes de Agronomia do Brasil – DCEAB discutia a realização de um evento que pudesse reunir estudantes da América Latina, e tratar questões comuns. Esse evento aconteceu no ano de 1963, na atual UFRRJ. Foi a I Convenção Latino-Americana de Estudantes de Agronomia, evento de teor acadêmico, visando a questão agrária e do ensino agronômico na América Latina principalmente. Uma segunda edição desta convenção chegou a ser realizada dois anos mais tarde, no México, mas o período de regimes militares que já começava a se instalar no continente interrompeu a articulação recém-criada entre os estudantes, bem como colocou na clandestinidade o DCEAB, e outras organizações estudantis da América Latina.
No início dos anos 80 a discussão retorna, e algumas correspondências passam a ser trocadas entre militantes da FEAB e países latino-americanos, bem como o surgimento da discussão a respeito da criação de uma Confederação Latino Americana de Entidades Estudantis de Agronomia. É no ano de 1989 que, durante o XIII Festival Mundial da Juventude, realizado na República Popular da Coréia, que sete paises latino-americanos (entre eles o Brasil), assinam um manifesto para a realização do I Congresso Latino Americano e Caribenho de Entidades Estudantis de Agronomia – o CLACEEA. Nesta época, a discussão sobre as relações internacionais na FEAB girava em muito em torno da filiação e participação no IAAS (Associação Internacional dos Estudantes de Agricultura); a FEAB chegou a participar de alguns fóruns da entidade. Na ocasião do encontro da juventude, uma articulação entre a FEAB e a AEIA (Associação dos Estudantes de Agronomia na Nicarágua), fez surgir a idéia da realização de uma espécie de estágio de vivência entre os estudantes dos dois países, projeto que seria concretizado a partir do I CLACEEA, que realizou-se em Pelotas, sede do recém-criado NTP RI.
Pela participação de poucos países neste primeiro congresso (além do Brasil estavam presentes estudantes do Chile, Nicarágua, Argentina e El Salvador), optou-se por realizar um II CLACEEA, de mesma temática, no ano seguinte, na Bolívia. Surge então, a Confederação Caribenha e Latino Americana de Estudantes de Agronomia – a CONCLAEA.
A FEAB esteve à frente da entidade, enquanto Coordenação Geral por três vezes, nos anos de 1994, 1998 e 2002, organizando o CLACEEA em 1991 e 2004, e como Coordenação Sul em 2005. Vale ressaltar que este ano, durante o XVI CLACEEA, na Colômbia, os paises lá presentes decidiram por dissolver as tarefas das Coordenações Norte e Sul entre as organizações, de acordo com suas disponibilidades, mantendo-se fixas e centralizadas apenas a sede do pré-CLACEEA, sede do CLACEEA e Coordenação Geral.
A CONCLAEA nasce como um espaço de articulação e fortalecimento das entidades estudantis na América Latina e Caribe. Não se trata se uma entidade de base, muito menos de massa. Ela é o instrumento das direções do Movimento Estudantil de Agronomia e deve ser entendida como tal, para que se evitem equívocos teóricos e práticos em sua construção. A CONCLAEA é parte de um plano estratégico de articulação latino-americana, na construção da integração dos povos.
“... En primer lugar, yo considero mi pátria no solamente a la Argentina, sino a toda America. Tengo antecedentes tan gloriosos como el de Martí y es precisamente en su tierra en donde yo me atengo a su doctrina.” (Che Guevara)
Essa busca por integração entre os países tem precedentes históricos. A América Latina sofreu o mesmo processo de roubo e violação de seus povos, recursos, cultura, desde que chegaram em nossas terras os colonizadores da Europa. Impérios surgiram e foram derrubados ao longo dos séculos, sob o pretexto do desenvolvimento da humanidade. O que a história esquece de contar é que, o subdesenvolvimento não é uma fase do desenvolvimento, como nos alerta Eduardo Galeano, mas sim uma de suas conseqüências. Portanto, se nós (latino-americanos) perdemos algo nesses mais de 500 anos de exploração, alguém ganhou. Esse povo ‘que tem o costume de sofrer com os dentes cerrados’ tem aprendido, entretanto, a se organizar. Tem entendido que nosso silêncio só permite a manutenção desse sistema de exploração e reprodução da miséria, da perda de nossa identidade e auto-estima enquanto povo.
As experiências de organização pelas quais vem passando os povos do nosso continente devem ser acompanhadas de perto. E a CONCLAEA tem muito a contribuir nessa tarefa. E a FEAB, enquanto membro da Via Campesina também. Entender a unidade dos povos explorados como importante avanço no deslocamento da correlação de forças quando se fala em transformações estruturais da sociedade, que necessariamente precisam dessa articulação, é caminhar rumo ao avanço da libertação da Pátria Latino Americana.
Como nós, FEAB, devemos, portanto, nos colocar frente à CONCLAEA? Há que primeiro analisar o momento pelo qual passa nossa Confederação. É inegável o avanço da articulação entre as organizações pertencentes à CONCLAEA hoje. No marco de seus pouco mais de 14 anos (menos da metade da ‘idade’ da FEAB), a CONCLAEA está hoje, estabelecida e organizada, como um fórum de entidades estudantis, avançando em termos políticos e organizacionais. No último Congresso, onde estiveram presentes sete países, deliberou-se pelo Socialismo, em pleno território fascista e em guerra civil pelo qual atravessa a Colômbia. As ‘pasantías’, Estágios de Vivência que ocorrem depois dos congressos, junto aos movimentos sociais do país sede do CLACEEA ocorrem todos os anos, tanto estes, de caráter internacionalista, como os de caráter local, voltados aos estudantes do próprio país. O sentimento de pertença à organização já faz estudantes de outros cursos (afins aos de ciências agrárias) levar à frente a bandeira da CONCLAEA em seus países, como é o caso do Peru, México e Paraguai. Esse mesmo sentimento de pertença desperta nos jovens militantes o desprendimento necessário para construir o movimento estudantil nos países América, trancando os cursos e saindo de seus países, resgatando a ‘cultura mochileira’, como dizem os companheiros argentinos, questões tão importantes para o fortalecimento dos valores que constroem militantes para a vida. Por que não falar também dos diversos intercâmbios que tem ocorrido entre os estudantes dos países, durante eventos organizados pelas entidades, como encontros, congressos, jornadas, estágios e cursos!?!?
O movimento começa a entender seu papel. A América Latina passa por um processo de rearticulação de forças, rumo à ascensão das lutas sociais. E a expressão mais militante existente hoje dentro da América latina, enquanto Movimento Estudantil, é, sem dúvida, a CONCLAEA. E ela nos chama, FEAB, a discutir, a compor e a construir, talvez por opção política, talvez por compromisso histórico, talvez por sentimento de ‘latinidade’, por resgate cultural, necessidade de rever dívidas históricas, ou quem sabe por todos esses motivos juntos.
A FEAB é um exponencial dentro do Movimento Estudantil no Brasil, e muito de sua maturidade política se deve ao comprometimento junto ao povo e aos movimentos sociais. Esse mesmo trajeto vem sendo traçado, via de regra pelas organizações que compõem a CONCLAEA, e isso é um marco, um norte para os militantes da América Latina, que trás consigo o fardo pesado e amargo, de ‘uma história de dominação’ mas também ‘um sonho de liberdade’, como em Curitiba, no 45o CONEA, em 2002, sob o vento frio do inverno paranaense, a gigante bandeira que saúda o Socialismo balançava e os militantes da FEAB discutiam o papel dos estudantes e da juventude frente à América Latina hoje.
É nosso papel, enquanto membros da Via Campesina e da CONCLAEA fortalecer as relações entre os Movimentos Sociais e o Movimento Estudantil na América Latina e no Caribe, pela articulação dos trabalhadores, camponeses e estudantes organizados, comprometidos com a transformação da América, e a construção da nova história de nosso continente. A CONCLAEA é o instrumento de retomada do avanço das movimentações sociais.
Desperta FEAB, e desperta a América Latina: esse é o ‘nosso povo, nossa luta e nossa história’. É chegada a hora de formar quadros comprometidos com a causa socialista no mundo, não somente em nossos lares e universidades, e militantes sociais, e não somente aqueles que fazem de sua juventude a cota de militância. Esses são bons, mas precisamos de pessoas imprescindíveis, daquelas que lutam por toda a vida, como lembra Brecht.
Estudar a América Latina, suas experiências, avanços e retrocessos é nosso dever histórico. Sempre há aprendizado, com qualquer que seja a experiência, por mais que a mesma tenha erros e limitações. Para tanto, vale encerrar essa breve reflexão sobre o movimento estudantil da Agronomia na América Latina e no Caribe, com o trecho de um discurso proferido por Che Guevara, em 28 de julho de 1960, em virtude do I Congresso Latino Americano da Juventude, que a nós, organização CONCLAEA pode ser muito útil, e nos faz entender muitas coisas, e quem sabe rever outras tantas:
“... Esa es una de nuestras grandes fuerzas: las fuerzas que se mueven en todo el mundo y que olvidan todas las banderas particulares de las luchas nacionales, para defender, en un momento dado, la Revolucion cubana. Y me permitiría decir-lo, que es un dever de la juventud de America, porque esto que hay aquí es algo nuevo, y es algo digno de estudio. No quiero decirles yo lo que tiene de bueno; ustedes podrán constatar lo que tiene de bueno.
Que tiene mucho de malo lo sé; que hay mucha desorganización aquí, yo lo sé. (...) que todavía nuestro ejército no ha alcanzado el grado de madurez necesaria, ni los milicianos han alcanzado la suficiente coodinación para constituirse en un ejército, yo lo sé.
Pero lo que yo sé, y quisiera que todos ustedes supieran, es que esta Revolución se hizo siempre contando con la voluntad de todo el pueblo de Cuba, y que cada campesino y cada obrero, si maneja mal el fusil, está trabajando todos los días para manejarlo mejor, para defender su Revolución. (...)
Y de todos los otros hermanos países de América, y de nuestra tierra, si todavía persistiera como ejemplo, les contestará la voz de los pueblos, desde ese momento y para siempre: ‘Así sea: que la libertad sea conquistada en cada rincón de América!’”
Buenos días America!
“Despertei sussurrando uma nova canção, em minha janela já há um Sol. Bom dia América! Como estás bem! Bom dia Brasil, meu gigante, siga em frente...” (Buenos días America – Pablo Milanes)
A discussão a respeito das Relações Internacionais entre os estudantes de agronomia nos remete aos anos 60, quando o Diretório Central de Estudantes de Agronomia do Brasil – DCEAB discutia a realização de um evento que pudesse reunir estudantes da América Latina, e tratar questões comuns. Esse evento aconteceu no ano de 1963, na atual UFRRJ. Foi a I Convenção Latino-Americana de Estudantes de Agronomia, evento de teor acadêmico, visando a questão agrária e do ensino agronômico na América Latina principalmente. Uma segunda edição desta convenção chegou a ser realizada dois anos mais tarde, no México, mas o período de regimes militares que já começava a se instalar no continente interrompeu a articulação recém-criada entre os estudantes, bem como colocou na clandestinidade o DCEAB, e outras organizações estudantis da América Latina.
No início dos anos 80 a discussão retorna, e algumas correspondências passam a ser trocadas entre militantes da FEAB e países latino-americanos, bem como o surgimento da discussão a respeito da criação de uma Confederação Latino Americana de Entidades Estudantis de Agronomia. É no ano de 1989 que, durante o XIII Festival Mundial da Juventude, realizado na República Popular da Coréia, que sete paises latino-americanos (entre eles o Brasil), assinam um manifesto para a realização do I Congresso Latino Americano e Caribenho de Entidades Estudantis de Agronomia – o CLACEEA. Nesta época, a discussão sobre as relações internacionais na FEAB girava em muito em torno da filiação e participação no IAAS (Associação Internacional dos Estudantes de Agricultura); a FEAB chegou a participar de alguns fóruns da entidade. Na ocasião do encontro da juventude, uma articulação entre a FEAB e a AEIA (Associação dos Estudantes de Agronomia na Nicarágua), fez surgir a idéia da realização de uma espécie de estágio de vivência entre os estudantes dos dois países, projeto que seria concretizado a partir do I CLACEEA, que realizou-se em Pelotas, sede do recém-criado NTP RI.
Pela participação de poucos países neste primeiro congresso (além do Brasil estavam presentes estudantes do Chile, Nicarágua, Argentina e El Salvador), optou-se por realizar um II CLACEEA, de mesma temática, no ano seguinte, na Bolívia. Surge então, a Confederação Caribenha e Latino Americana de Estudantes de Agronomia – a CONCLAEA.
A FEAB esteve à frente da entidade, enquanto Coordenação Geral por três vezes, nos anos de 1994, 1998 e 2002, organizando o CLACEEA em 1991 e 2004, e como Coordenação Sul em 2005. Vale ressaltar que este ano, durante o XVI CLACEEA, na Colômbia, os paises lá presentes decidiram por dissolver as tarefas das Coordenações Norte e Sul entre as organizações, de acordo com suas disponibilidades, mantendo-se fixas e centralizadas apenas a sede do pré-CLACEEA, sede do CLACEEA e Coordenação Geral.
A CONCLAEA nasce como um espaço de articulação e fortalecimento das entidades estudantis na América Latina e Caribe. Não se trata se uma entidade de base, muito menos de massa. Ela é o instrumento das direções do Movimento Estudantil de Agronomia e deve ser entendida como tal, para que se evitem equívocos teóricos e práticos em sua construção. A CONCLAEA é parte de um plano estratégico de articulação latino-americana, na construção da integração dos povos.
“... En primer lugar, yo considero mi pátria no solamente a la Argentina, sino a toda America. Tengo antecedentes tan gloriosos como el de Martí y es precisamente en su tierra en donde yo me atengo a su doctrina.” (Che Guevara)
Essa busca por integração entre os países tem precedentes históricos. A América Latina sofreu o mesmo processo de roubo e violação de seus povos, recursos, cultura, desde que chegaram em nossas terras os colonizadores da Europa. Impérios surgiram e foram derrubados ao longo dos séculos, sob o pretexto do desenvolvimento da humanidade. O que a história esquece de contar é que, o subdesenvolvimento não é uma fase do desenvolvimento, como nos alerta Eduardo Galeano, mas sim uma de suas conseqüências. Portanto, se nós (latino-americanos) perdemos algo nesses mais de 500 anos de exploração, alguém ganhou. Esse povo ‘que tem o costume de sofrer com os dentes cerrados’ tem aprendido, entretanto, a se organizar. Tem entendido que nosso silêncio só permite a manutenção desse sistema de exploração e reprodução da miséria, da perda de nossa identidade e auto-estima enquanto povo.
As experiências de organização pelas quais vem passando os povos do nosso continente devem ser acompanhadas de perto. E a CONCLAEA tem muito a contribuir nessa tarefa. E a FEAB, enquanto membro da Via Campesina também. Entender a unidade dos povos explorados como importante avanço no deslocamento da correlação de forças quando se fala em transformações estruturais da sociedade, que necessariamente precisam dessa articulação, é caminhar rumo ao avanço da libertação da Pátria Latino Americana.
Como nós, FEAB, devemos, portanto, nos colocar frente à CONCLAEA? Há que primeiro analisar o momento pelo qual passa nossa Confederação. É inegável o avanço da articulação entre as organizações pertencentes à CONCLAEA hoje. No marco de seus pouco mais de 14 anos (menos da metade da ‘idade’ da FEAB), a CONCLAEA está hoje, estabelecida e organizada, como um fórum de entidades estudantis, avançando em termos políticos e organizacionais. No último Congresso, onde estiveram presentes sete países, deliberou-se pelo Socialismo, em pleno território fascista e em guerra civil pelo qual atravessa a Colômbia. As ‘pasantías’, Estágios de Vivência que ocorrem depois dos congressos, junto aos movimentos sociais do país sede do CLACEEA ocorrem todos os anos, tanto estes, de caráter internacionalista, como os de caráter local, voltados aos estudantes do próprio país. O sentimento de pertença à organização já faz estudantes de outros cursos (afins aos de ciências agrárias) levar à frente a bandeira da CONCLAEA em seus países, como é o caso do Peru, México e Paraguai. Esse mesmo sentimento de pertença desperta nos jovens militantes o desprendimento necessário para construir o movimento estudantil nos países América, trancando os cursos e saindo de seus países, resgatando a ‘cultura mochileira’, como dizem os companheiros argentinos, questões tão importantes para o fortalecimento dos valores que constroem militantes para a vida. Por que não falar também dos diversos intercâmbios que tem ocorrido entre os estudantes dos países, durante eventos organizados pelas entidades, como encontros, congressos, jornadas, estágios e cursos!?!?
O movimento começa a entender seu papel. A América Latina passa por um processo de rearticulação de forças, rumo à ascensão das lutas sociais. E a expressão mais militante existente hoje dentro da América latina, enquanto Movimento Estudantil, é, sem dúvida, a CONCLAEA. E ela nos chama, FEAB, a discutir, a compor e a construir, talvez por opção política, talvez por compromisso histórico, talvez por sentimento de ‘latinidade’, por resgate cultural, necessidade de rever dívidas históricas, ou quem sabe por todos esses motivos juntos.
A FEAB é um exponencial dentro do Movimento Estudantil no Brasil, e muito de sua maturidade política se deve ao comprometimento junto ao povo e aos movimentos sociais. Esse mesmo trajeto vem sendo traçado, via de regra pelas organizações que compõem a CONCLAEA, e isso é um marco, um norte para os militantes da América Latina, que trás consigo o fardo pesado e amargo, de ‘uma história de dominação’ mas também ‘um sonho de liberdade’, como em Curitiba, no 45o CONEA, em 2002, sob o vento frio do inverno paranaense, a gigante bandeira que saúda o Socialismo balançava e os militantes da FEAB discutiam o papel dos estudantes e da juventude frente à América Latina hoje.
É nosso papel, enquanto membros da Via Campesina e da CONCLAEA fortalecer as relações entre os Movimentos Sociais e o Movimento Estudantil na América Latina e no Caribe, pela articulação dos trabalhadores, camponeses e estudantes organizados, comprometidos com a transformação da América, e a construção da nova história de nosso continente. A CONCLAEA é o instrumento de retomada do avanço das movimentações sociais.
Desperta FEAB, e desperta a América Latina: esse é o ‘nosso povo, nossa luta e nossa história’. É chegada a hora de formar quadros comprometidos com a causa socialista no mundo, não somente em nossos lares e universidades, e militantes sociais, e não somente aqueles que fazem de sua juventude a cota de militância. Esses são bons, mas precisamos de pessoas imprescindíveis, daquelas que lutam por toda a vida, como lembra Brecht.
Estudar a América Latina, suas experiências, avanços e retrocessos é nosso dever histórico. Sempre há aprendizado, com qualquer que seja a experiência, por mais que a mesma tenha erros e limitações. Para tanto, vale encerrar essa breve reflexão sobre o movimento estudantil da Agronomia na América Latina e no Caribe, com o trecho de um discurso proferido por Che Guevara, em 28 de julho de 1960, em virtude do I Congresso Latino Americano da Juventude, que a nós, organização CONCLAEA pode ser muito útil, e nos faz entender muitas coisas, e quem sabe rever outras tantas:
“... Esa es una de nuestras grandes fuerzas: las fuerzas que se mueven en todo el mundo y que olvidan todas las banderas particulares de las luchas nacionales, para defender, en un momento dado, la Revolucion cubana. Y me permitiría decir-lo, que es un dever de la juventud de America, porque esto que hay aquí es algo nuevo, y es algo digno de estudio. No quiero decirles yo lo que tiene de bueno; ustedes podrán constatar lo que tiene de bueno.
Que tiene mucho de malo lo sé; que hay mucha desorganización aquí, yo lo sé. (...) que todavía nuestro ejército no ha alcanzado el grado de madurez necesaria, ni los milicianos han alcanzado la suficiente coodinación para constituirse en un ejército, yo lo sé.
Pero lo que yo sé, y quisiera que todos ustedes supieran, es que esta Revolución se hizo siempre contando con la voluntad de todo el pueblo de Cuba, y que cada campesino y cada obrero, si maneja mal el fusil, está trabajando todos los días para manejarlo mejor, para defender su Revolución. (...)
Y de todos los otros hermanos países de América, y de nuestra tierra, si todavía persistiera como ejemplo, les contestará la voz de los pueblos, desde ese momento y para siempre: ‘Así sea: que la libertad sea conquistada en cada rincón de América!’”
Núcleo de Trabalho Permanente de Juventude Cultura e Valores - NTP FEAB
UFPR Curitiba PR julho de 2006.
A CONCLAEA se organiza através de três coordenações definidas anualmente durante a realização dos CLACEEA’s. São elas:
Coordenação Norte: responsável pelos países da América Central e o México. Atualmente a Coordenação Norte está sob a responsabilidade do México.
Coordenação Sul: Responsável pelos países da América do Sul. Atualmente assumida pelo Uruguai.
Coordenação Geral (CG): Responsável pela organização, articulação e comunicação com todos os países da Confederação. Atualmente sob responsabilidade da FEAB/BRASIL.
Uma das principais ações desenvolvidas pela CONCLAEA são as “passadas”, geralmente realizadas pela Coordenação Geral. Estas visitas de intercâmbio político cumpriram importante papel na articulação de organizações em vários países, como exemplo a FEAC – Federação dos Estudantes de Agronomia da Colômbia. Além da CG, outros países também desempenham essa tarefa de realizar as passadas, a partir de compromissos assumidos durantes os congressos, visando dividir tarefas, tornando esse trabalho mais viável através da relação entre países vizinhos.
A eventos e instancias de deliberação da CONCLAEA são:
Pré-CLACEEA: evento realizado anualmente, geralmente nos meses de agosto ou setembro, cujo objetivo é a construção do próximo congresso, definindo temática, grade e palestrantes. Participam deste espaço representantes dos países que compõem a Confederação. O próximo pré-CLACEEA será realizado na Argentina.
CLACEEA: Evento também anual, ocorre geralmente em janeiro. É a instância máxima de deliberação da CONCLAEA, onde se define as linhas de atuação e ações da Confederação para o próximo ano. Também define-se a sucessão das instancias (coordenações e eventos). O último CLACEEA foi realizado no Brasil, na cidade da Lapa, PR. O próximo será sediado pela Colômbia.
Desde o primeiro CLACEEA realizado no Brasil, o evento já passou por Bolívia, Argentina, Uruguai, Nicarágua, Cuba, México, Peru, Venezuela, Paraguai, Guatemala e Colômbia. A FEAB organizou o CLACEEA quatro vezes, nos anos de 1991 (Pelotas), 1998 (Curitiba), 2004 (Maringá) e 2008 (Curitiba/Lapa-PR).
A Coordenação Geral atual
O debate de relações internacionais esteve bastante presente nesses últimos tempos nos espaços de discussão da FEAB. A participação de militantes em atividades da CONCLAEA tem possibilitado o aprofundamento e disseminação desse debate pelas escolas da FEAB. Prova disso foi a grande mobilização gerada em torno da participação das escolas no último CLACEEA realizado no Paraná, quando um ônibus partiu de Mossoró recolhendo gente pelo país todo na “Caravana da FEAB rumo ao CLACEEA”.
Foi a partir desse acúmulo que a FEAB reunida no último CLACEEA assumiu o compromisso de ser a Coordenação Geral da CONCLAEA no ano de 2008. Para tal missão, algumas escolas disponibilizaram militantes para trancar período e fazer as passadas, outras escolas pegaram atividades mais internas, porém todas assumiram o compromisso de levar o debate de RI para suas bases e dessa forma contribuir para o crescimento da nossa Federação e da CONCLAEA.
No momento em que escrevemos este texto há um companheiro e uma companheira na Venezuela, onde estão conhecendo a realidade daquele país, estabelecendo contato com os estudantes e com movimentos sociais, além de pautarem as deliberações do último congresso. Outro companheiro está no Paraguai desenvolvendo os trabalhos da confederação e seguirá em breve para a Argentina.
As tarefas da CG ficaram assim planejadas:
Responsáveis pelas passadas:
América Central:
1º semestre: Merci (Viçosa) e Marco (Rural do Rio)
2º semestre: Merci (Viçosa) e Luis (Lavras)
América Andina (Venezuela, Colômbia, Peru, Equador, Bolívia)
1º semestre: Thomas (Curitiba) e Leila (Lavras)
2º semestre: Thomas (Curitiba) e Ana (Lavras)
Cone Sul (Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile)
1º semestre: Rato (Mossoró)
2º semestre: Rato (Mossoró) e Ester (Lages)
Secretaria Operativa:
1º semestre: Lavras
2º semestre: Montes Claros
Ainda há muito que avançar, e o avançar se dá principalmente na prática. Ano passado a militância da FEAB esteve presente no CLACEEA da Guatemala com três escolas, no Pré-CLACEEA da Colômbia com duas e no 50º CONEA em Aracajú estiveram presentes três militantes da FAEA – Federação Argentina dos Estudantes de Agronomia, levando grande contribuição para o debate de RI. Além disso, o NTP RI esteve presente no CNEA – Congresso Nacional dos Estudantes de Agronomia da Argentina, e posteriormente realizou visitas em algumas universidades conhecendo assim um pouco melhor a dinâmica daquela entidade. Depois disso fizeram uma passada no Paraguai restabelecendo contato com os estudantes deste país que a muito tempo não participavam dos espaços da CONCLAEA.
E assim seguimos construindo a CONCLAEA. Esperamos que nesse CONEA possamos aprofundar ainda mais o debate sobre o internacionalismo, utilizando como subsídio as experiências que nossos companheiros que estão na estrada irão nos trazer.
Hasta la victoria compañeros y compañeras!
1 Trechos selecionados do documento de contribuição de Curitiba ao 49º CONEA, escrito por Ceres Luisa Antunes Hadich, ex militante da FEAB e da CONCLAEA
NTP Relações Internacionais
Lavras – MG, maio de 2008
Referências: * Relatos históricos do NTP RI - FEAB, gestão Pelotas e gestão Curitiba; * Relatos pessoais da Coordenação Sul, gestão FEAB 2005/2006; * GUEVARA, E. America Latina: despertar de un continente. Ed. Ocean, 2003. Austrália; * GALEANO, E. As Veias Abertas da América Latina. Ed. Paz e Terra, 43a edição, 2002. Brasil.
