Dia 19 a 23 de Novembro estaremos realizando em Tangará da Serra o Curso de Formação Politica - Basico I. Os principais temas são:
1 - A sociedade em que vivemos: Análise de conjuntura internacional, latino americana e nacional para balizar os debates posteriores e fomentar questionamentos dos participantes. Ideologia e Alienação.
2 - Economia política: Conceitos da sociedade capitalista (mais-valia relativa e absoluta, luta de classes, Estado, etc.); sistemas econômicos, limites da institucionalidade e o papel do Estado.
3 - Movimento Estudantil: Discussão sobre a situação da universidade brasileira. O projeto educacional implementado no Brasil e a mercantilização da educação com o aumento dos cursos pagos. A Reforma Universitária e o papel dos estudantes. Debate acerca das atividades e responsabilidades do movimento estudantil. Resgate das principais lutas travadas pelo movimento estudantil ao longo dos anos e dos desafios do próximo período.
4 - Gênero e sexualidade: a relação e os conflitos de gênero na sociedade atual.
5 - Juventude: qual a caracteristica da juventude nos dias atuais, seu papel na sociedade como agentes de transformação social.
Objetivo
Estudar a sociedade desde a colonização e suas inter-relações com a conjuntura atual proporcionando uma visão plural nas discussões, aproximando o estudante da realidade com reflexos além dos “muros” da academia, proporcionando uma visão crítica e contribuindo no desenvolvimento cidadão. Estaremos objetivando balizar em um esforço comum, de modo que a liberdade e o pluralismo das formulações possam construir um corpo consistente e harmônico para ser levado a sociedade.
No mais é isso.
Abraços a todos e todas
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sábado, 15 de novembro de 2008
domingo, 3 de agosto de 2008
Bandeira - Formação Profissional
O Ensino Agronômico
O ensino agronômico no Brasil teve início no século passado, quando da criação da Imperial Escola Agrícola da Bahia (1875) e a Imperial Escola de Agronomia e Veterinária, em Pelotas, RS (1883). Até o início da República, o ensino agronômico funcionou sem diretrizes. Mesmo instalando-se nesse período novas escolas de agronomia, como de Piracicaba/SP (1901) e Lavras/MG (1908), a agronomia não ocupava os espaços abertos no cenário da produção agrícola nacional, sendo quase inexistente o Engenheiro Agrônomo como profissional.
O ensino agronômico somente é realmente instituído no Brasil em 1910, quando foi aprovado o primeiro regulamento, em todos os níveis e modalidades.
Após esse passo inicial, o ensino agronômico desenvolveu-se e foram criados inúmeros serviços técnicos oficiais, iniciando-se a fase da pesquisa e experimentação agrícola, concomitantemente com a criação e funcionamento das escolas de Agronomia de Porto Alegre/RS (1901), Rio de Janeiro/RJ (1910), Fortaleza/CE (1913), Curitiba/PR (1918), Recife/PE (1918) e Viçosa/MG (1928).
No período Vargas e com a crise econômica que abalou o mundo (crise de 1929), iniciou-se um movimento renovador das atividades agropecuárias, devido à crises cíclicas da economia capitalista, principalmente naquelas calcadas na monocultura, como a do Brasil.
A evolução da consciência da profissão de Engenheiro Agrônomo teve grande impulso, quando em 1933 foi criada a Diretoria Geral da Agricultura e a Diretoria de Ensino Agrícola pelo Ministério da Agricultura, primeiro órgão específico de controle, administração, supervisão e fiscalização do ensino agrícola no país, culminando com a edição do Decreto nº 23.196, de 12 de outubro de 1933, que regulamentou o exercício da profissão agronômica no Brasil.
Até a década de 50, a existência de escolas de agronomia sofreu evolução gradativa, as quais sempre se preocuparam exclusivamente na formação de Engenheiro Agrônomo, através de pequenas turmas, com capacidade ociosa ou relativamente ociosa em muitos casos, mesmo no caso das escolas estaduais ou federais. As escolas particulares, embora enfrentando as mais diversas dificuldades, só vieram a ter situação equacionada com a federalização ou absorção pelos governos estaduais, já na década de 60.
A partir dos anos sessenta esta ciência se insere em um novo patamar tecnológico. A modernização conservadora promovida pelo governo militar fazia parte de um profundo processo de mudanças econômicas que refletiu na agricultura através da chamada Revolução Verde. Até este momento, a ciência agronômica serviu para manter o caráter de um país agrícola.
Do início do ensino de agronomia até a década de sessenta, toda a política de educação agrícola da Agronomia era regida pelo Ministério da Agricultura. A política de ensino para essa área era um instrumento a serviço da produção agrícola. Embora os principais cursos estivessem há muito tempo incorporados às Universidades, foi somente a partir da década de sessenta que essa questão passou a ser tratada como formação e não mais como elemento exclusivo da política de produção.
As conseqüências do modelo agrícola adotado provocaram as primeiras reações a esta concepção profissional. Tendo as crises sociais e ambientais, forte influência na reflexão de estudantes e profissionais da área agronômica. Com os movimentos de agricultura alternativa à Revolução Verde e a discussão sobre o papel profissional nos anos setenta e oitenta, passa-se a debater a formação do agrônomo sob novas perspectivas.
Naquele momento, cria-se a idéia de um profissional com formação generalista, humanística e crítica, com amplo conhecimento metodológico capaz de compreender e intervir em processos econômicos, sociais e culturais. Pretendia-se ainda a unificação de conteúdos básicos a nível nacional e uma alteração no perfil pedagógico tido como informativo e não-formativo. Estas concepções concretizaram-se na proposta do Currículo Mínimo.
Atualmente está em curso um processo de alterações curriculares ou Reforma Curricular. Esta nova etapa apresenta alguns pressupostos como a participação da comunidade acadêmica e a discussão e criação de um projeto político-pedagógico para os cursos. Este processo se insere na necessidade da formação profissional em um novo contexto, a globalização.
Em 10 de março de 1998 através da Portaria da Secretaria de Ensino Superior – SESu MEC n° 146 foram instituídas as Diretrizes Curriculares para os Cursos de Ciências Agrárias. Estes cursos concluíram que não é viável diretriz igual, ou seja, cada curso deverá ter sua diretriz específica. Dessa forma, hoje existe a enorme necessidade de se elaborar as diretrizes para o curso de agronomia a fim de elaborar o projeto político pedagógico do curso. Nesse processo de construção é fundamental que haja a participação do Ministério da Educação, do Conselho Federal de Engenharia Arquitetura e Agronomia, dos Conselhos Regionais, das Universidades, das entidades de classe e das organizações estudantis.
É nesse contexto que a FEAB realizou em abril de 2004 o I Seminário Nacional do Projeto Política Pedagógica da Agronomia (I SENAPPPA) em Viçosa-MG, com a participação dessas entidades e organizações, objetivando discutir a Formação do Profissional.
Temos a total clareza que o I SENAPPPA foi o primeiro passo e que ainda é preciso envolver com mais propriedade setores da academia e das outras entidades ligadas à Educação Agrária. Nesse sentido nos sentimos responsáveis por continuar essa discussão em nossos espaços de formação a fim de contribuirmos para a construção de um projeto político pedagógico que seja capaz de formar profissionais altamente competentes.
A FEAB compreende que o processo educativo precisa ter como objetivos: o desenvolvimento do ser humano e seu aperfeiçoamento; a formação dos cidadãos capazes de compreender criticamente a realidade social e consciente dos seus direitos e responsabilidades, desenvolvendo-lhes os valores éticos e o aprendizado da participação; o preparo de cidadãos para a compreensão e o exercício do trabalho, mediante acesso, as culturas, ao conhecimento científico, tecnológico e artístico e ao desporto; a produção e a difusão do saber e do conhecimento; a valorização e promoção da vida; a preparação do cidadão para efetiva participação política; o fortalecimento da soberania do país, da unidade da soberania nacional e da solidariedade internacional, pela construção de uma cidadania contrária à exploração, opressão ou desrespeito à espécie humana, a natureza e ao patrimônio cultural da humanidade.
Referências:
Tese Chalito;
Projeto 44º e 48º CONEA
O ensino agronômico no Brasil teve início no século passado, quando da criação da Imperial Escola Agrícola da Bahia (1875) e a Imperial Escola de Agronomia e Veterinária, em Pelotas, RS (1883). Até o início da República, o ensino agronômico funcionou sem diretrizes. Mesmo instalando-se nesse período novas escolas de agronomia, como de Piracicaba/SP (1901) e Lavras/MG (1908), a agronomia não ocupava os espaços abertos no cenário da produção agrícola nacional, sendo quase inexistente o Engenheiro Agrônomo como profissional.
O ensino agronômico somente é realmente instituído no Brasil em 1910, quando foi aprovado o primeiro regulamento, em todos os níveis e modalidades.
Após esse passo inicial, o ensino agronômico desenvolveu-se e foram criados inúmeros serviços técnicos oficiais, iniciando-se a fase da pesquisa e experimentação agrícola, concomitantemente com a criação e funcionamento das escolas de Agronomia de Porto Alegre/RS (1901), Rio de Janeiro/RJ (1910), Fortaleza/CE (1913), Curitiba/PR (1918), Recife/PE (1918) e Viçosa/MG (1928).
No período Vargas e com a crise econômica que abalou o mundo (crise de 1929), iniciou-se um movimento renovador das atividades agropecuárias, devido à crises cíclicas da economia capitalista, principalmente naquelas calcadas na monocultura, como a do Brasil.
A evolução da consciência da profissão de Engenheiro Agrônomo teve grande impulso, quando em 1933 foi criada a Diretoria Geral da Agricultura e a Diretoria de Ensino Agrícola pelo Ministério da Agricultura, primeiro órgão específico de controle, administração, supervisão e fiscalização do ensino agrícola no país, culminando com a edição do Decreto nº 23.196, de 12 de outubro de 1933, que regulamentou o exercício da profissão agronômica no Brasil.
Até a década de 50, a existência de escolas de agronomia sofreu evolução gradativa, as quais sempre se preocuparam exclusivamente na formação de Engenheiro Agrônomo, através de pequenas turmas, com capacidade ociosa ou relativamente ociosa em muitos casos, mesmo no caso das escolas estaduais ou federais. As escolas particulares, embora enfrentando as mais diversas dificuldades, só vieram a ter situação equacionada com a federalização ou absorção pelos governos estaduais, já na década de 60.
A partir dos anos sessenta esta ciência se insere em um novo patamar tecnológico. A modernização conservadora promovida pelo governo militar fazia parte de um profundo processo de mudanças econômicas que refletiu na agricultura através da chamada Revolução Verde. Até este momento, a ciência agronômica serviu para manter o caráter de um país agrícola.
Do início do ensino de agronomia até a década de sessenta, toda a política de educação agrícola da Agronomia era regida pelo Ministério da Agricultura. A política de ensino para essa área era um instrumento a serviço da produção agrícola. Embora os principais cursos estivessem há muito tempo incorporados às Universidades, foi somente a partir da década de sessenta que essa questão passou a ser tratada como formação e não mais como elemento exclusivo da política de produção.
As conseqüências do modelo agrícola adotado provocaram as primeiras reações a esta concepção profissional. Tendo as crises sociais e ambientais, forte influência na reflexão de estudantes e profissionais da área agronômica. Com os movimentos de agricultura alternativa à Revolução Verde e a discussão sobre o papel profissional nos anos setenta e oitenta, passa-se a debater a formação do agrônomo sob novas perspectivas.
Naquele momento, cria-se a idéia de um profissional com formação generalista, humanística e crítica, com amplo conhecimento metodológico capaz de compreender e intervir em processos econômicos, sociais e culturais. Pretendia-se ainda a unificação de conteúdos básicos a nível nacional e uma alteração no perfil pedagógico tido como informativo e não-formativo. Estas concepções concretizaram-se na proposta do Currículo Mínimo.
Atualmente está em curso um processo de alterações curriculares ou Reforma Curricular. Esta nova etapa apresenta alguns pressupostos como a participação da comunidade acadêmica e a discussão e criação de um projeto político-pedagógico para os cursos. Este processo se insere na necessidade da formação profissional em um novo contexto, a globalização.
Em 10 de março de 1998 através da Portaria da Secretaria de Ensino Superior – SESu MEC n° 146 foram instituídas as Diretrizes Curriculares para os Cursos de Ciências Agrárias. Estes cursos concluíram que não é viável diretriz igual, ou seja, cada curso deverá ter sua diretriz específica. Dessa forma, hoje existe a enorme necessidade de se elaborar as diretrizes para o curso de agronomia a fim de elaborar o projeto político pedagógico do curso. Nesse processo de construção é fundamental que haja a participação do Ministério da Educação, do Conselho Federal de Engenharia Arquitetura e Agronomia, dos Conselhos Regionais, das Universidades, das entidades de classe e das organizações estudantis.
É nesse contexto que a FEAB realizou em abril de 2004 o I Seminário Nacional do Projeto Política Pedagógica da Agronomia (I SENAPPPA) em Viçosa-MG, com a participação dessas entidades e organizações, objetivando discutir a Formação do Profissional.
Temos a total clareza que o I SENAPPPA foi o primeiro passo e que ainda é preciso envolver com mais propriedade setores da academia e das outras entidades ligadas à Educação Agrária. Nesse sentido nos sentimos responsáveis por continuar essa discussão em nossos espaços de formação a fim de contribuirmos para a construção de um projeto político pedagógico que seja capaz de formar profissionais altamente competentes.
A FEAB compreende que o processo educativo precisa ter como objetivos: o desenvolvimento do ser humano e seu aperfeiçoamento; a formação dos cidadãos capazes de compreender criticamente a realidade social e consciente dos seus direitos e responsabilidades, desenvolvendo-lhes os valores éticos e o aprendizado da participação; o preparo de cidadãos para a compreensão e o exercício do trabalho, mediante acesso, as culturas, ao conhecimento científico, tecnológico e artístico e ao desporto; a produção e a difusão do saber e do conhecimento; a valorização e promoção da vida; a preparação do cidadão para efetiva participação política; o fortalecimento da soberania do país, da unidade da soberania nacional e da solidariedade internacional, pela construção de uma cidadania contrária à exploração, opressão ou desrespeito à espécie humana, a natureza e ao patrimônio cultural da humanidade.
Referências:
Tese Chalito;
Projeto 44º e 48º CONEA
Bandeira - Formação Profissional
A FORMAÇÃO DO ENGENHEIRO-AGRONOMO EM QUESTÃO
Valdo José Cavalet*
O avanço da ciência e da tecnologia na atualidade tem sido cantado em verso e prosa. Os defensores ferrenhos do atual paradigma tecnológico, fruto do modo de produção capitalista, apontam nesse paradigma a solução para os problemas da humanidade.
Mas qualquer análise mais crítica desse modelo, em particular no setor agrário, aponta num sentido contrário ao dos ufanistas: a concentração da riqueza acentuou-se muito, a destruição dos recursos naturais avançou num ritmo impressionante e o pior dos sintomas de uma sociedade, a fome, ganhou ares de tragédia social.
Paralelamente a esse quadro, as escolas de nível superior da área de ciências agrárias continuaram a se multiplicar em todo o Brasil e as universidades formaram milhares de novos profissionais, cuja área de conhecimento estudada lhes garantiu atribuições legais para atuarem no mercado de trabalho ligado ao complexo agroindustrial.
Neste texto pretendo aprofundar a análise da contradição: avanço tecnológico, aumento do número de profissionais atuando na área e aumento da produção agrícola e o aumento de pobreza, a destruição dos recursos naturais e a expulsão do homem do campo.
Na busca de um embasamento teórico procedo à leitura de uma série de autores relacionados nas referências bibliográficas deste trabalho, que possuem pesquisa e produção científica no tema "Educação e Trabalho".
Após essas leituras procuro identificar as fases históricas do avanço tecnológico na agricultura. Posteriormente analiso o modelo de formação adotado pela Agronomia no Brasil. Por último, procuro encaminhar algumas conclusões que mais são interrogações e que me remetem obrigatoriamente a novas e futuras reflexões.
O AVANÇO TECNOLÓGICO NA AGRICULTURA E SUAS CONSEQUÊNCIAS
A agricultura, atividade que visa domesticar, criar, reproduzir e cultivar animais e plantas através do trabalho3 do homem, tem seu início há aproximadamente dez mil anos. Quando o homem deixa o modo de vida nómade e fixa-se em determinada região, os alimentos ali produzidos pela natureza passam a escassear e há a necessidade então de domesticar plantas e animais comestíveis para viabilizar a multiplicação dos mesmos.
Durante milénios, o homem acumulou conhecimentos sobre como produzir o seu sustento. Eram conhecimentos empíricos adequados à reprodução ecológica. Ou, dito de outra forma, as formas de produção eram através de "técnicas" que causavam baixo impacto sobre o ecossistema e permitiam a reprodução ecológica a curto e médio prazo.
Era o homem adaptando a natureza a si, através do seu trabalho, baseado em um conhecimento que foi fruto de suas experiências acumuladas historicamente. E para continuar existindo precisava continuar produzindo a própria existência através do seu trabalho.
Os homens produziam a sua existência lidando com a natureza, se relacionando uns com os outros, e assim se educavam e educavam as novas gerações.
O uso de plantas leguminosas, fertilizantes orgânicos, pousio da terra, culturas de cobertura, rotação de culturas (animal e vegetal), tração animal, dentre outros, permitiram a preservação das áreas de produçào4 e a sustentação do homem numa sociedade agrária através dos milênios. Essas técnicas são utilizadas até os dias de hoje e não demandam gastos financeiros, pois apenas dependem do conhecimento do agricultor para serem adotadas na produção agrícola.
Com a Revolução Industrial nos séculos XVIII e XIX foi desenvolvida uma série de tecnologias baseadas na produção maquinizada.
Na agricultura os primeiros avanços são na área de fertilizantes (ROMEIRO, 1987) e, logo após, na mecanização. Nasce a indústria de fertilizantes químicos, e a propaganda induz a necessidade de uso dos novos produtos. Vale aqui ressaltar o papel da propaganda na ampliação das necessidades existentes numa determinada sociedade, no modo de produção capitalista (FERRETTI, 1992).
A indústria de fertilizantes cresceu de forma assombrosa e, aos poucos, os agricultores foram deixando para trás as milenares formas de manter a fertilidade do solo, substituindo-as pêlos fertilizantes químicos.
Com o avanço tecnológico da indústria de motores e máquinas, a mecanização agrícola possibilitou a exploração de grandes áreas de terras.
Após a Segunda Guerra Mundial, desenvolveu-se também com muita rapidez a indústria de insumos agrícolas baseada na química fina. Os agrotóxicos5 - herbicidas, fungicidas e inseticidas - passaram a dominar o cenário agrícola.
No final da década de cinquenta, com a introdução de cultivares modernos de alta produtividade, das espécies vegetais de maior importância económica, teve início a chamada "Revolução Verde".
sim estava completo, no início dos anos sessenta, o chamado pacote tecnológico7,que dominou a agricultura nas últimas três décadas.
Na atualidade estamos passando da sociedade industrial (baseada na produção maquinizada) para a sociedade tecnizada (baseada na microeletrônica, microbiologia e em novas fontes de energia)(FRIGOTTO, 1991; MACHADO, 1991). As novas tecnologias sedistinguem pela aplicação universal, atingindo todos os setores da vida social, constituindo-se em fator chave e propulsor de outras inovações.
AS CONSEQUÊNCIAS DO MODELO ADOTADO
O modelo de produção adotado no Brasil a partir da década de sessenta, baseado no pacote tecnológico, ocasiona uma total desestruturação do regime de produção baseado na propriedade familiar.
A maior parte da população rural composta de pequenos e médios agricultores, e de trabalhadores rurais, nunca foi o real objeto das atenções do modelo implantado pelo Estado brasileiro após 1964 e, especialmente, a partir do final de 1967.
Seu principal objetivo no campo era integrar a agricultura à indústria, setor dominante no modelo, mediante a transformação do agricultor tradicional em empresário rural. A agricultura empresarial, altamente dependente de maquinário e insumos, serviria, como de fato serviu, para fortalecer o setor industrial.
Políticas de crédito e subsídios os mais diversos foram introduzidos para ampliar a capacidade de investimento de grande parte dos produtores, inclusive pequenos, dentro do propósito combinado de aumentar mercados para os produtos industrializados e aumentar aquantidade de matérias-primas para a indústria e os produtos de exportação. Este esforço para modernizar à agricultura e integrá-la a indústria foi particularmente bem sucedido no sul do País, onde havia condições de solo e clima para a expansão de culturas que, além depraticamente 100% mecanizáveis, aliavam-se à qualidade de agir favoravelmente na balança de pagamentos do país: eram elas a soja, o trigo e, em segundo plano, as demais culturas de inverno, como aveia, cevada e centeio.
No Paraná, a década de 70 assistiu a uma rápida expansão da soja, que, substituindo os cafezais e outras culturas, passou a ocupar de cerca de 395 mil ha plantados em 1970 a 2.250.000 ha em 1980. numa variação de 569%.
A expansão das culturas de exportação representou expressivo aumento no número de máquinas e insumos agrícolas consumidos. O número de tratores, por exemplo, deu um salto de 328% durante a década, passando a densidade de área por unidades de trator de 183 ha/trator em 1970 para 64 ha/trator em 1980.
Já no decorrer da primeira metade dos anos 70 os efeitos socialmente negativos desta política se faziam sentir.
Para os pequenos produtores que tiveram acesso ao crédito e chegaram a incorporar tecnologia moderna, a elevação da produtividade dela resultante foi insuficiente para compensar seus novos custos de produção, diante de um sistema de comercialização desigual e deficitário que convivia com o controle dos preços agrícolas por parte do Governo e com o endividamento crónico a que os mecanismos de créditoconduziam.
Em vez de levar a grande massa de pequenos produtores a uma crescente capitalização, tais mecanismos sujeitaram-na a uma subordinação mais direta ao grande capital, seja às grandes companhias produtoras de insumos e máquinas, seja às agroindústrias. seja aos bancos privados e estatais. O progressivo empobrecimento resultava, no limite, na perda da terra.
A parcela de pequenos produtores que não tiveram acesso ou recusaram o crédito oficial manteve seus padrões tradicionais de baixa produtividade. Somada à pouca terra de que dispunham e às condições de comercialização existentes, essa limitação resultou em renda insuficiente para cobrir até mesmo as necessidades mínimas de consumo familiar.
Por outro lado, a política de crédito, ao valorizar a terra, constituiu-se em fator de estímulo à venda das áreas dos produtores empobrecidos, que passaram a aumentar o número de migrantes para as cidades e para fronteiras agrícolas distantes
Também as formas de trabalho associado, como a parceria e o arrendamento, foram particularmente afetadas pelo avanço das culturas de exportação e pela mecanização crescente da agricultura. A grande propriedade deixou de interessar a manutenção de reservas permanentes de mão-de-obra, que implicavam parcelamento da terra e divisão de parte da produção, tornando oneroso o vinculo com parceiros e arrendatários. O mesmo ocorreu com os trabalhadores permanentes substituídos pelo trabalho temporário dos bóia-frias nas fases não-mecanizáveis do ciclo produtivo.
Em consequência, no Estado do Paraná, o chamado celeiro agrícola do País, registrou-se o desaparecimento de 24,2% dos pequenos estabelecimentos (menos de 20 ha) durante a década de 70. Registrou-se concomitantemente um processo de concentração fundiária em que a área na posse dos pequenos decresceu em 22.6%, enquanto a do estrato de estabelecimento com acima de 500 ha aumentou em 43,8%. Verificou-se um acelerado êxodo rural, com a perda de mais de l .250.000 habitantes do meio rural em dez anos.
A maioria da população rural saiu perdendo. Pequenos proprietários e seus familiares se proletarizaram. Produtores associados, privados dos meios de subsistência imediatos, transformaram-se em bóia-frias ou engrossaram o êxodo para as cidades. Pequenos produtores que resistiram ao vendaval ficaram submetidos aos duros termos da vinculação ao grande capital.
O programa de modernização, que se sustentava na política de crédito subsidiado, conseguiu atrelar as necessidades da agricultura à indústria de equipamentos e insumos agrícolas e, após fazê-lo. tem início o processo de retirada das vantagens inicialmente oferecidas em termos de crédito.
A FORMAÇÃO DO ENGENHEIRO-AGRONOMO
O primeiro curso de agronomia do Brasil data de 1879 e foi fundado em São Bento das Lages, interior da Bahia. Esse curso pertence hoje à Universidade Federal da Bahia e está sediado em Cruz das Almas-BA.
Na época da fundação do primeiro curso vivia-se no Brasil a fase final da escravidão. A oligarquia rural via ameaçada a produção de suas fazendas, visto que as primeiras culturas da época, cana-de-açúcar e café, utilizavam como força de trabalho a mão-de-obra escrava.
Foi nesse contexto de dificuldade de mão-de-obra, devido ao fim do regime de escravidão, que começaram a ser introduzidas as novas tecnologias desenvolvidas na revolução industrial (máquinas e equipamentos). O novo ciclo tecnológico e as dificuldades operacionais do modelo de desenvolvimento da época para o setor rural exigiram umprofissional adequado às condições. Surge a Agronomia no Brasil.
Na sequência, com o avanço da ciência no campo da química, surge a indústria de fertilizantes.
Assim, a agronomia, no seu primeiro meio século, foi um cursos que formou profissionais com o papel de incrementar a produtividade dos grandes latifúndios familiares, através do manejo das culturas extensivas da época, valendo-se da tecnologia química (fertilizante) e da tecnologia mecânica (máquinas e implementos). Esse paradigma tecnológico permaneceu até o final da década de cinquenta.
No final da década de cinquenta, início da década de sessenta, com o avanço na química fina (agrotóxicos) e na genética (sementes,mudas e matrizes), teve início a chamada "Revolução Verde".
Estava constituída a base tecnológica de um novo ciclo de desenvolvimento agrícola. A genética, a química e a mecânica constituíam-se na essência das tecnologias vendáveis ao setor rural. A indústria multinacional era e foi nas últimas três décadas a detentora da produção dessas novas tecnologias.
E importante ter em conta que as atividades de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias sempre foram desenvolvidas nas matrizes das empresas multinacionais, concentrando-se lá os recursos materiais, técnicos e financeiros. Às filiais, nos países subdesenvolvidos, como o caso do Brasil, coube somente fazer a adaptação dos produtos e processos às condições locais (MACHADO, 1994).
O Brasil, como foi visto anteriormente, priorizou um modelo de desenvolvimento altamente dependente de capital e de tecnologia de ponta, sendo a produção prioritariamente destinada à exportação. Isso foi feito em detrimento da produção de alimentos para o mercado interno. Foi privilegiada a propriedade empresarial em detrimento da propriedade familiar, a tecnologia multinacional em detrimento de uma tecnologia compatível com a nossa realidade, o uso intensivo e irracional dos recursos naturais em detrimento de um manejo ecológico desses recursos. A prioridade, enfim, foi o crescimento económico em detrimento do desenvolvimento social.
Essa inter-relação campo-indústria forma o atual complexo agroindustrial. Seus defensores gostam de chamá-lo de "agribusiness". Nele o homem do campo, principalmente a propriedade familiar, não tem vez.
2. O modelo de ensino adequado à formação de profissionais habilitados ao manuseio de tecnologias prontas.
O modelo de ensino adotado tinha como objetivo central habilitar os futuros profissionais a manusearem o conjunto de tecnologias desenvolvidas nas matrizes multinacionais. Os conteúdos do currículo não davam quase nenhuma ênfase aos conhecimentos relativos às ciências humanas, sociais e do ambiente. Além disso o ciclo básico da graduação, que poderia possibilitar ao aluno, ao estudar a base científica, refletirsobre as contradições da tecnologia adotada, foi desarticulado e relegado a um segundo plano.
A tecnologia tem por objetivo fazer crescer o lucro. Como força do capital, a sua dimensão facilitadora da vida humana, libertadora do mundo da fadiga e da necessidade, se expressa pela exclusão da maior parte da humanidade dos seus usos benéficos(FRIGOTTO. 1991).
A agronomia, no modelo pedagógico adotado. inserida no contexto das relações sociais de produção, foi e ainda continua sendo alienada e aliada do capital, onde o agricultor e os recursos naturais são apenas "meio" para a obtenção de maiores lucros.
Acrescente-se ainda que a grande maioria dos professores são pós-graduados no exterior em áreas extremamente especializadas; há um isolamento dos cursos de agronomia em relação ao conjunto do saber universitário; e os cursos praticamente desconsideram a realidade económica, ecológica e social do meio agrário. Fica assim ainda mais evidente a razão pela qual a formação profissional ficou alienada e à mercê do modelo do desenvolvimento brasileiro.
Foi somente ao final dos anos 70 e começo dos anos 80, duas décadas após o início do novo paradigma agrícola, que começou uma contestação ao modelo de formação profissional.
Foram os profissionais da agronomia através de suas representações lideradas péla Federação das Associações de Engenheiros - Agrônomos – FAEAB, e os estudantes de agronomia, através da Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil - FEAB, quecomandaram uma luta de amplitude nacional para alterar o ensino de Agronomia no País. As direções das escolas e a maioria dos professores, quando não se opuseram, permaneceram omissas à iniciativa destas categorias.
Após seis anos, numa conquista inédita, foi aprovado em 1984 o novo currículo mínimo da agronomia. Inédita porque, em oposição à proposta oficial do Conselho Federal de Educação - CFE e também porque é oriundo de movimentos externos às escolas.
Dentre as muitas conquistas, foram introduzidos conteúdos de ciências humanas e sociais e ciências do ambiente que possibilitaram a discussão sobre um maior compromisso profissional diante da drástica realidade rural brasileira.
Passados dez anos daquela vitória, algumas das atuais 64 escolas de agronomia do Brasil ainda não implantaram o currículo mínimo, num flagrante desrespeito a legislação, que conta com a conivência do CFE. E a maioria das escolas que implantaram o novo currículo apenas o fizeram alterando a grade curricular, para atender à legislação. Os novosconteúdos ficaram isolados em uma ou duas disciplinas, sob o argumento de que as escolas não possuíam condições estruturais e de pessoal para uma reforma mais ampla.
As federações cometeram o erro de achar que, ao conseguirem que o CFE aprovasse a nova proposta de currículo, haviam encerrado as suas participações e que as mudanças nas escolas iriam acontecer naturalmente.
Só os movimentos sociais podem tornar as escolas mais democráticas e possibilitar mudanças. Na ausência de pressões externas por mudanças, elas tendem a preservar as relações existentes (CARNOY e LEVIN.1987).
Comênio, Lenin, Suchodoiski, Gramsci e tantos outros líderes e educadores de diferentes realidades históricas mais uma vez estavam com a razão: Não se fazem mudanças sem a participação do conjunto dos professores, e com as escolas isoladas das relações sociais de produção.
Durante milénios, o homem acumulou conhecimentos sobre como produzir o seu sustento. Eram conhecimentos empíricos adequados à reprodução ecológica. Ou, dito de outra forma, as formas de produção eram através de "técnicas" que causavam baixo impacto sobre o ecossistema e permitiam a reprodução ecológica a curto e médio prazo.
Era o homem adaptando a natureza a si, através do seu trabalho, baseado em um conhecimento que foi fruto de suas experiências acumuladas historicamente. E para continuar existindo precisava continuar produzindo a própria existência através do seu trabalho.
Os homens produziam a sua existência lidando com a natureza, se relacionando uns com os outros, e assim se educavam e educavam as novas gerações.
O uso de plantas leguminosas, fertilizantes orgânicos, pousio da terra, culturas de cobertura, rotação de culturas (animal e vegetal), tração animal, dentre outros, permitiram a preservação das áreas de produçào4 e a sustentação do homem numa sociedade agrária através dos milênios. Essas técnicas são utilizadas até os dias de hoje e não demandam gastos financeiros, pois apenas dependem do conhecimento do agricultor para serem adotadas na produção agrícola.
Com a Revolução Industrial nos séculos XVIII e XIX foi desenvolvida uma série de tecnologias baseadas na produção maquinizada.
Na agricultura os primeiros avanços são na área de fertilizantes (ROMEIRO, 1987) e, logo após, na mecanização. Nasce a indústria de fertilizantes químicos, e a propaganda induz a necessidade de uso dos novos produtos. Vale aqui ressaltar o papel da propaganda na ampliação das necessidades existentes numa determinada sociedade, no modo de produção capitalista (FERRETTI, 1992).
A indústria de fertilizantes cresceu de forma assombrosa e, aos poucos, os agricultores foram deixando para trás as milenares formas de manter a fertilidade do solo, substituindo-as pêlos fertilizantes químicos.
Com o avanço tecnológico da indústria de motores e máquinas, a mecanização agrícola possibilitou a exploração de grandes áreas de terras.
Após a Segunda Guerra Mundial, desenvolveu-se também com muita rapidez a indústria de insumos agrícolas baseada na química fina. Os agrotóxicos5 - herbicidas, fungicidas e inseticidas - passaram a dominar o cenário agrícola.
No final da década de cinquenta, com a introdução de cultivares modernos de alta produtividade, das espécies vegetais de maior importância económica, teve início a chamada "Revolução Verde".
sim estava completo, no início dos anos sessenta, o chamado pacote tecnológico7,que dominou a agricultura nas últimas três décadas.
Na atualidade estamos passando da sociedade industrial (baseada na produção maquinizada) para a sociedade tecnizada (baseada na microeletrônica, microbiologia e em novas fontes de energia)(FRIGOTTO, 1991; MACHADO, 1991). As novas tecnologias sedistinguem pela aplicação universal, atingindo todos os setores da vida social, constituindo-se em fator chave e propulsor de outras inovações.
AS CONSEQUÊNCIAS DO MODELO ADOTADO
O modelo de produção adotado no Brasil a partir da década de sessenta, baseado no pacote tecnológico, ocasiona uma total desestruturação do regime de produção baseado na propriedade familiar.
A maior parte da população rural composta de pequenos e médios agricultores, e de trabalhadores rurais, nunca foi o real objeto das atenções do modelo implantado pelo Estado brasileiro após 1964 e, especialmente, a partir do final de 1967.
Seu principal objetivo no campo era integrar a agricultura à indústria, setor dominante no modelo, mediante a transformação do agricultor tradicional em empresário rural. A agricultura empresarial, altamente dependente de maquinário e insumos, serviria, como de fato serviu, para fortalecer o setor industrial.
Políticas de crédito e subsídios os mais diversos foram introduzidos para ampliar a capacidade de investimento de grande parte dos produtores, inclusive pequenos, dentro do propósito combinado de aumentar mercados para os produtos industrializados e aumentar aquantidade de matérias-primas para a indústria e os produtos de exportação. Este esforço para modernizar à agricultura e integrá-la a indústria foi particularmente bem sucedido no sul do País, onde havia condições de solo e clima para a expansão de culturas que, além depraticamente 100% mecanizáveis, aliavam-se à qualidade de agir favoravelmente na balança de pagamentos do país: eram elas a soja, o trigo e, em segundo plano, as demais culturas de inverno, como aveia, cevada e centeio.
No Paraná, a década de 70 assistiu a uma rápida expansão da soja, que, substituindo os cafezais e outras culturas, passou a ocupar de cerca de 395 mil ha plantados em 1970 a 2.250.000 ha em 1980. numa variação de 569%.
A expansão das culturas de exportação representou expressivo aumento no número de máquinas e insumos agrícolas consumidos. O número de tratores, por exemplo, deu um salto de 328% durante a década, passando a densidade de área por unidades de trator de 183 ha/trator em 1970 para 64 ha/trator em 1980.
Já no decorrer da primeira metade dos anos 70 os efeitos socialmente negativos desta política se faziam sentir.
Para os pequenos produtores que tiveram acesso ao crédito e chegaram a incorporar tecnologia moderna, a elevação da produtividade dela resultante foi insuficiente para compensar seus novos custos de produção, diante de um sistema de comercialização desigual e deficitário que convivia com o controle dos preços agrícolas por parte do Governo e com o endividamento crónico a que os mecanismos de créditoconduziam.
Em vez de levar a grande massa de pequenos produtores a uma crescente capitalização, tais mecanismos sujeitaram-na a uma subordinação mais direta ao grande capital, seja às grandes companhias produtoras de insumos e máquinas, seja às agroindústrias. seja aos bancos privados e estatais. O progressivo empobrecimento resultava, no limite, na perda da terra.
A parcela de pequenos produtores que não tiveram acesso ou recusaram o crédito oficial manteve seus padrões tradicionais de baixa produtividade. Somada à pouca terra de que dispunham e às condições de comercialização existentes, essa limitação resultou em renda insuficiente para cobrir até mesmo as necessidades mínimas de consumo familiar.
Por outro lado, a política de crédito, ao valorizar a terra, constituiu-se em fator de estímulo à venda das áreas dos produtores empobrecidos, que passaram a aumentar o número de migrantes para as cidades e para fronteiras agrícolas distantes
Também as formas de trabalho associado, como a parceria e o arrendamento, foram particularmente afetadas pelo avanço das culturas de exportação e pela mecanização crescente da agricultura. A grande propriedade deixou de interessar a manutenção de reservas permanentes de mão-de-obra, que implicavam parcelamento da terra e divisão de parte da produção, tornando oneroso o vinculo com parceiros e arrendatários. O mesmo ocorreu com os trabalhadores permanentes substituídos pelo trabalho temporário dos bóia-frias nas fases não-mecanizáveis do ciclo produtivo.
Em consequência, no Estado do Paraná, o chamado celeiro agrícola do País, registrou-se o desaparecimento de 24,2% dos pequenos estabelecimentos (menos de 20 ha) durante a década de 70. Registrou-se concomitantemente um processo de concentração fundiária em que a área na posse dos pequenos decresceu em 22.6%, enquanto a do estrato de estabelecimento com acima de 500 ha aumentou em 43,8%. Verificou-se um acelerado êxodo rural, com a perda de mais de l .250.000 habitantes do meio rural em dez anos.
A maioria da população rural saiu perdendo. Pequenos proprietários e seus familiares se proletarizaram. Produtores associados, privados dos meios de subsistência imediatos, transformaram-se em bóia-frias ou engrossaram o êxodo para as cidades. Pequenos produtores que resistiram ao vendaval ficaram submetidos aos duros termos da vinculação ao grande capital.
O programa de modernização, que se sustentava na política de crédito subsidiado, conseguiu atrelar as necessidades da agricultura à indústria de equipamentos e insumos agrícolas e, após fazê-lo. tem início o processo de retirada das vantagens inicialmente oferecidas em termos de crédito.
A FORMAÇÃO DO ENGENHEIRO-AGRONOMO
O primeiro curso de agronomia do Brasil data de 1879 e foi fundado em São Bento das Lages, interior da Bahia. Esse curso pertence hoje à Universidade Federal da Bahia e está sediado em Cruz das Almas-BA.
Na época da fundação do primeiro curso vivia-se no Brasil a fase final da escravidão. A oligarquia rural via ameaçada a produção de suas fazendas, visto que as primeiras culturas da época, cana-de-açúcar e café, utilizavam como força de trabalho a mão-de-obra escrava.
Foi nesse contexto de dificuldade de mão-de-obra, devido ao fim do regime de escravidão, que começaram a ser introduzidas as novas tecnologias desenvolvidas na revolução industrial (máquinas e equipamentos). O novo ciclo tecnológico e as dificuldades operacionais do modelo de desenvolvimento da época para o setor rural exigiram umprofissional adequado às condições. Surge a Agronomia no Brasil.
Na sequência, com o avanço da ciência no campo da química, surge a indústria de fertilizantes.
Assim, a agronomia, no seu primeiro meio século, foi um cursos que formou profissionais com o papel de incrementar a produtividade dos grandes latifúndios familiares, através do manejo das culturas extensivas da época, valendo-se da tecnologia química (fertilizante) e da tecnologia mecânica (máquinas e implementos). Esse paradigma tecnológico permaneceu até o final da década de cinquenta.
No final da década de cinquenta, início da década de sessenta, com o avanço na química fina (agrotóxicos) e na genética (sementes,mudas e matrizes), teve início a chamada "Revolução Verde".
Estava constituída a base tecnológica de um novo ciclo de desenvolvimento agrícola. A genética, a química e a mecânica constituíam-se na essência das tecnologias vendáveis ao setor rural. A indústria multinacional era e foi nas últimas três décadas a detentora da produção dessas novas tecnologias.
E importante ter em conta que as atividades de pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias sempre foram desenvolvidas nas matrizes das empresas multinacionais, concentrando-se lá os recursos materiais, técnicos e financeiros. Às filiais, nos países subdesenvolvidos, como o caso do Brasil, coube somente fazer a adaptação dos produtos e processos às condições locais (MACHADO, 1994).
O Brasil, como foi visto anteriormente, priorizou um modelo de desenvolvimento altamente dependente de capital e de tecnologia de ponta, sendo a produção prioritariamente destinada à exportação. Isso foi feito em detrimento da produção de alimentos para o mercado interno. Foi privilegiada a propriedade empresarial em detrimento da propriedade familiar, a tecnologia multinacional em detrimento de uma tecnologia compatível com a nossa realidade, o uso intensivo e irracional dos recursos naturais em detrimento de um manejo ecológico desses recursos. A prioridade, enfim, foi o crescimento económico em detrimento do desenvolvimento social.
Essa inter-relação campo-indústria forma o atual complexo agroindustrial. Seus defensores gostam de chamá-lo de "agribusiness". Nele o homem do campo, principalmente a propriedade familiar, não tem vez.
2. O modelo de ensino adequado à formação de profissionais habilitados ao manuseio de tecnologias prontas.
O modelo de ensino adotado tinha como objetivo central habilitar os futuros profissionais a manusearem o conjunto de tecnologias desenvolvidas nas matrizes multinacionais. Os conteúdos do currículo não davam quase nenhuma ênfase aos conhecimentos relativos às ciências humanas, sociais e do ambiente. Além disso o ciclo básico da graduação, que poderia possibilitar ao aluno, ao estudar a base científica, refletirsobre as contradições da tecnologia adotada, foi desarticulado e relegado a um segundo plano.
A tecnologia tem por objetivo fazer crescer o lucro. Como força do capital, a sua dimensão facilitadora da vida humana, libertadora do mundo da fadiga e da necessidade, se expressa pela exclusão da maior parte da humanidade dos seus usos benéficos(FRIGOTTO. 1991).
A agronomia, no modelo pedagógico adotado. inserida no contexto das relações sociais de produção, foi e ainda continua sendo alienada e aliada do capital, onde o agricultor e os recursos naturais são apenas "meio" para a obtenção de maiores lucros.
Acrescente-se ainda que a grande maioria dos professores são pós-graduados no exterior em áreas extremamente especializadas; há um isolamento dos cursos de agronomia em relação ao conjunto do saber universitário; e os cursos praticamente desconsideram a realidade económica, ecológica e social do meio agrário. Fica assim ainda mais evidente a razão pela qual a formação profissional ficou alienada e à mercê do modelo do desenvolvimento brasileiro.
Foi somente ao final dos anos 70 e começo dos anos 80, duas décadas após o início do novo paradigma agrícola, que começou uma contestação ao modelo de formação profissional.
Foram os profissionais da agronomia através de suas representações lideradas péla Federação das Associações de Engenheiros - Agrônomos – FAEAB, e os estudantes de agronomia, através da Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil - FEAB, quecomandaram uma luta de amplitude nacional para alterar o ensino de Agronomia no País. As direções das escolas e a maioria dos professores, quando não se opuseram, permaneceram omissas à iniciativa destas categorias.
Após seis anos, numa conquista inédita, foi aprovado em 1984 o novo currículo mínimo da agronomia. Inédita porque, em oposição à proposta oficial do Conselho Federal de Educação - CFE e também porque é oriundo de movimentos externos às escolas.
Dentre as muitas conquistas, foram introduzidos conteúdos de ciências humanas e sociais e ciências do ambiente que possibilitaram a discussão sobre um maior compromisso profissional diante da drástica realidade rural brasileira.
Passados dez anos daquela vitória, algumas das atuais 64 escolas de agronomia do Brasil ainda não implantaram o currículo mínimo, num flagrante desrespeito a legislação, que conta com a conivência do CFE. E a maioria das escolas que implantaram o novo currículo apenas o fizeram alterando a grade curricular, para atender à legislação. Os novosconteúdos ficaram isolados em uma ou duas disciplinas, sob o argumento de que as escolas não possuíam condições estruturais e de pessoal para uma reforma mais ampla.
As federações cometeram o erro de achar que, ao conseguirem que o CFE aprovasse a nova proposta de currículo, haviam encerrado as suas participações e que as mudanças nas escolas iriam acontecer naturalmente.
Só os movimentos sociais podem tornar as escolas mais democráticas e possibilitar mudanças. Na ausência de pressões externas por mudanças, elas tendem a preservar as relações existentes (CARNOY e LEVIN.1987).
Comênio, Lenin, Suchodoiski, Gramsci e tantos outros líderes e educadores de diferentes realidades históricas mais uma vez estavam com a razão: Não se fazem mudanças sem a participação do conjunto dos professores, e com as escolas isoladas das relações sociais de produção.
CONCLUSÃO
O agricultor foi despojado do seu conhecimento milenar. A ciência incorporada à produção agrícola é propriedade do capital. O agricultor, a partir das "novas tecnologias", limitou-se a aplicá-las, perdendo o seu saber histórico e ficando à mercê de novas "orientações técnicas''. Reforçou-se a divisão entre a concepção e a execução e o agricultor passou a ser facilmente substituído. Assim, dentre outras consequências, o avanço da ciência e da tecnologia no campo contribuiu para a concentração da terra. O capital livre do saber histórico do agricultor pode fazer facilmente a passagem da produção baseada na propriedade familiar para a produção empresarial.
A agricultura deixou de ser um modo de vida e passou a ser unicamente um meio de vida.
Mas nunca na história da agricultura houve tantos avanços tecnológicos e tantos profissionais formados na área como nesses últimos anos, e, no entanto, contraditoriamente, nunca houve tantos problemas ecológicos e sociais como agora.
Não é possível continuar fazendo a apologia da ciência moderna achando que o desenvolvimento científico e tecnológico por si só pode libertar a "humanidade" da miséria. Fica cada vez mais evidente que se deve buscar uma análise histórica - concreta da ciência e da técnica como produtos de relações sociais determinadas.
A pergunta fundamental é como: nesse contexto citado, tornar a escola um instrumento de geração e difusão de conhecimento que beneficie o conjunto da sociedade?
Para FRIGOTTO (1989,1991, 1992) e MACHADO (1991, 1992, 1993, 1994) a escola deve ir na direção de uma formação que tenha a dimensão científico – técnica, social, política, cultural e estética da formação humana, ou, em outras palavras, na direção de um saber politécnico que tenha como princípio educativo o trabalho.
A agronomia, enquanto educação formal, de nível superior, profissionalizante, está num caminho contrário ao proposto: sua concepção de homem é unilateral; apregoa a divisão entre o trabalho manual e o intelectual; o trabalho é posto como alienação da vida e a concepção de ensino e educação se assenta sob a ótica do treinamento e adestramento para o mercado de trabalho.
Assim, mesmo aquele perfil descrito a seguir, pela FAEAB e FEAB, está muito longe de ser possibilitado pelas escolas de agronomia.
De acordo com as deliberações de seis Congressos Brasileiros de Agronomia, realizados no período de 1979 a 1989, o perfil do engenheiro-agrônomo para atuar diante da realidade brasileira é de um profissional de sólida cultura, de alto preparo humanístíco, de elevado conteúdo político e de formação curricular generalista. A formação desse engenheiro - agrônomo deve proporcionar agudo senso crítico, discernimento na vida profissional, criatividade, inovação, capacidade de geração de tecnologia e condições para implementar a transição do atual modelo para uma agricultura branda, integrada, permanente e em harmonia com a natureza e o homem.
A FAEAB conceitua a agronomia como sendo: "A ciência que estuda os vegetais, os animais e o meio ambiente , onde se desenvolvem sua integração, proteção e aproveitamento sustentado, os instrumentos e instalações para a produção sob a direção do homem, com a finalidade de proporcionarem à humanidade alimentos de alta qualidade biológica, matérias-primas, trabalhos, segurança, bens e utilidades com maior eficiência social, económica, técnica, ecológica e cultural".
A postura da escola diante das relações sociais de produção pode ser de doutrinar, ignorar ou desvelar a realidade. O normal é que as relações sociais decorrentes do modo de produção capitalista sejam reproduzidas pela escola, portanto as desigualdades sociais tendem a se agravar.
As escolas de agronomia no Brasil, com destaque nas últimas três décadas, tem doutrinado seus alunos a serem fiéis servidores do ingrato modelo económico aplicado no campo, com resultados catastróficos para a ecologia e a sociedade.
O desafio é construir uma proposta baseada num modelo pedagógico que possibilite a formação do que GRAMSCI sintetizou como sendo: a formação do técnico mais o político, (MANACORDA, 1990).
O agricultor foi despojado do seu conhecimento milenar. A ciência incorporada à produção agrícola é propriedade do capital. O agricultor, a partir das "novas tecnologias", limitou-se a aplicá-las, perdendo o seu saber histórico e ficando à mercê de novas "orientações técnicas''. Reforçou-se a divisão entre a concepção e a execução e o agricultor passou a ser facilmente substituído. Assim, dentre outras consequências, o avanço da ciência e da tecnologia no campo contribuiu para a concentração da terra. O capital livre do saber histórico do agricultor pode fazer facilmente a passagem da produção baseada na propriedade familiar para a produção empresarial.
A agricultura deixou de ser um modo de vida e passou a ser unicamente um meio de vida.
Mas nunca na história da agricultura houve tantos avanços tecnológicos e tantos profissionais formados na área como nesses últimos anos, e, no entanto, contraditoriamente, nunca houve tantos problemas ecológicos e sociais como agora.
Não é possível continuar fazendo a apologia da ciência moderna achando que o desenvolvimento científico e tecnológico por si só pode libertar a "humanidade" da miséria. Fica cada vez mais evidente que se deve buscar uma análise histórica - concreta da ciência e da técnica como produtos de relações sociais determinadas.
A pergunta fundamental é como: nesse contexto citado, tornar a escola um instrumento de geração e difusão de conhecimento que beneficie o conjunto da sociedade?
Para FRIGOTTO (1989,1991, 1992) e MACHADO (1991, 1992, 1993, 1994) a escola deve ir na direção de uma formação que tenha a dimensão científico – técnica, social, política, cultural e estética da formação humana, ou, em outras palavras, na direção de um saber politécnico que tenha como princípio educativo o trabalho.
A agronomia, enquanto educação formal, de nível superior, profissionalizante, está num caminho contrário ao proposto: sua concepção de homem é unilateral; apregoa a divisão entre o trabalho manual e o intelectual; o trabalho é posto como alienação da vida e a concepção de ensino e educação se assenta sob a ótica do treinamento e adestramento para o mercado de trabalho.
Assim, mesmo aquele perfil descrito a seguir, pela FAEAB e FEAB, está muito longe de ser possibilitado pelas escolas de agronomia.
De acordo com as deliberações de seis Congressos Brasileiros de Agronomia, realizados no período de 1979 a 1989, o perfil do engenheiro-agrônomo para atuar diante da realidade brasileira é de um profissional de sólida cultura, de alto preparo humanístíco, de elevado conteúdo político e de formação curricular generalista. A formação desse engenheiro - agrônomo deve proporcionar agudo senso crítico, discernimento na vida profissional, criatividade, inovação, capacidade de geração de tecnologia e condições para implementar a transição do atual modelo para uma agricultura branda, integrada, permanente e em harmonia com a natureza e o homem.
A FAEAB conceitua a agronomia como sendo: "A ciência que estuda os vegetais, os animais e o meio ambiente , onde se desenvolvem sua integração, proteção e aproveitamento sustentado, os instrumentos e instalações para a produção sob a direção do homem, com a finalidade de proporcionarem à humanidade alimentos de alta qualidade biológica, matérias-primas, trabalhos, segurança, bens e utilidades com maior eficiência social, económica, técnica, ecológica e cultural".
A postura da escola diante das relações sociais de produção pode ser de doutrinar, ignorar ou desvelar a realidade. O normal é que as relações sociais decorrentes do modo de produção capitalista sejam reproduzidas pela escola, portanto as desigualdades sociais tendem a se agravar.
As escolas de agronomia no Brasil, com destaque nas últimas três décadas, tem doutrinado seus alunos a serem fiéis servidores do ingrato modelo económico aplicado no campo, com resultados catastróficos para a ecologia e a sociedade.
O desafio é construir uma proposta baseada num modelo pedagógico que possibilite a formação do que GRAMSCI sintetizou como sendo: a formação do técnico mais o político, (MANACORDA, 1990).
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