domingo, 3 de agosto de 2008

Bandeira - Formação Profissional

O Ensino Agronômico

O ensino agronômico no Brasil teve início no século passado, quando da criação da Imperial Escola Agrícola da Bahia (1875) e a Imperial Escola de Agronomia e Veterinária, em Pelotas, RS (1883). Até o início da República, o ensino agronômico funcionou sem diretrizes. Mesmo instalando-se nesse período novas escolas de agronomia, como de Piracicaba/SP (1901) e Lavras/MG (1908), a agronomia não ocupava os espaços abertos no cenário da produção agrícola nacional, sendo quase inexistente o Engenheiro Agrônomo como profissional.
O ensino agronômico somente é realmente instituído no Brasil em 1910, quando foi aprovado o primeiro regulamento, em todos os níveis e modalidades.
Após esse passo inicial, o ensino agronômico desenvolveu-se e foram criados inúmeros serviços técnicos oficiais, iniciando-se a fase da pesquisa e experimentação agrícola, concomitantemente com a criação e funcionamento das escolas de Agronomia de Porto Alegre/RS (1901), Rio de Janeiro/RJ (1910), Fortaleza/CE (1913), Curitiba/PR (1918), Recife/PE (1918) e Viçosa/MG (1928).
No período Vargas e com a crise econômica que abalou o mundo (crise de 1929), iniciou-se um movimento renovador das atividades agropecuárias, devido à crises cíclicas da economia capitalista, principalmente naquelas calcadas na monocultura, como a do Brasil.
A evolução da consciência da profissão de Engenheiro Agrônomo teve grande impulso, quando em 1933 foi criada a Diretoria Geral da Agricultura e a Diretoria de Ensino Agrícola pelo Ministério da Agricultura, primeiro órgão específico de controle, administração, supervisão e fiscalização do ensino agrícola no país, culminando com a edição do Decreto nº 23.196, de 12 de outubro de 1933, que regulamentou o exercício da profissão agronômica no Brasil.
Até a década de 50, a existência de escolas de agronomia sofreu evolução gradativa, as quais sempre se preocuparam exclusivamente na formação de Engenheiro Agrônomo, através de pequenas turmas, com capacidade ociosa ou relativamente ociosa em muitos casos, mesmo no caso das escolas estaduais ou federais. As escolas particulares, embora enfrentando as mais diversas dificuldades, só vieram a ter situação equacionada com a federalização ou absorção pelos governos estaduais, já na década de 60.
A partir dos anos sessenta esta ciência se insere em um novo patamar tecnológico. A modernização conservadora promovida pelo governo militar fazia parte de um profundo processo de mudanças econômicas que refletiu na agricultura através da chamada Revolução Verde. Até este momento, a ciência agronômica serviu para manter o caráter de um país agrícola.
Do início do ensino de agronomia até a década de sessenta, toda a política de educação agrícola da Agronomia era regida pelo Ministério da Agricultura. A política de ensino para essa área era um instrumento a serviço da produção agrícola. Embora os principais cursos estivessem há muito tempo incorporados às Universidades, foi somente a partir da década de sessenta que essa questão passou a ser tratada como formação e não mais como elemento exclusivo da política de produção.
As conseqüências do modelo agrícola adotado provocaram as primeiras reações a esta concepção profissional. Tendo as crises sociais e ambientais, forte influência na reflexão de estudantes e profissionais da área agronômica. Com os movimentos de agricultura alternativa à Revolução Verde e a discussão sobre o papel profissional nos anos setenta e oitenta, passa-se a debater a formação do agrônomo sob novas perspectivas.
Naquele momento, cria-se a idéia de um profissional com formação generalista, humanística e crítica, com amplo conhecimento metodológico capaz de compreender e intervir em processos econômicos, sociais e culturais. Pretendia-se ainda a unificação de conteúdos básicos a nível nacional e uma alteração no perfil pedagógico tido como informativo e não-formativo. Estas concepções concretizaram-se na proposta do Currículo Mínimo.
Atualmente está em curso um processo de alterações curriculares ou Reforma Curricular. Esta nova etapa apresenta alguns pressupostos como a participação da comunidade acadêmica e a discussão e criação de um projeto político-pedagógico para os cursos. Este processo se insere na necessidade da formação profissional em um novo contexto, a globalização.
Em 10 de março de 1998 através da Portaria da Secretaria de Ensino Superior – SESu MEC n° 146 foram instituídas as Diretrizes Curriculares para os Cursos de Ciências Agrárias. Estes cursos concluíram que não é viável diretriz igual, ou seja, cada curso deverá ter sua diretriz específica. Dessa forma, hoje existe a enorme necessidade de se elaborar as diretrizes para o curso de agronomia a fim de elaborar o projeto político pedagógico do curso. Nesse processo de construção é fundamental que haja a participação do Ministério da Educação, do Conselho Federal de Engenharia Arquitetura e Agronomia, dos Conselhos Regionais, das Universidades, das entidades de classe e das organizações estudantis.
É nesse contexto que a FEAB realizou em abril de 2004 o I Seminário Nacional do Projeto Política Pedagógica da Agronomia (I SENAPPPA) em Viçosa-MG, com a participação dessas entidades e organizações, objetivando discutir a Formação do Profissional.
Temos a total clareza que o I SENAPPPA foi o primeiro passo e que ainda é preciso envolver com mais propriedade setores da academia e das outras entidades ligadas à Educação Agrária. Nesse sentido nos sentimos responsáveis por continuar essa discussão em nossos espaços de formação a fim de contribuirmos para a construção de um projeto político pedagógico que seja capaz de formar profissionais altamente competentes.
A FEAB compreende que o processo educativo precisa ter como objetivos: o desenvolvimento do ser humano e seu aperfeiçoamento; a formação dos cidadãos capazes de compreender criticamente a realidade social e consciente dos seus direitos e responsabilidades, desenvolvendo-lhes os valores éticos e o aprendizado da participação; o preparo de cidadãos para a compreensão e o exercício do trabalho, mediante acesso, as culturas, ao conhecimento científico, tecnológico e artístico e ao desporto; a produção e a difusão do saber e do conhecimento; a valorização e promoção da vida; a preparação do cidadão para efetiva participação política; o fortalecimento da soberania do país, da unidade da soberania nacional e da solidariedade internacional, pela construção de uma cidadania contrária à exploração, opressão ou desrespeito à espécie humana, a natureza e ao patrimônio cultural da humanidade.




Referências:
Tese Chalito;
Projeto 44º e 48º CONEA

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