domingo, 3 de agosto de 2008

Bandeira - Universidade

Para entender a questão da formação profissional, a crise por que passa devido às demandas exigidas pelas transformações da dinâmica capitalista nessas últimas décadas, que determina uma nova relação capital/trabalho, é importante entender qual o papel da educação, e qual sua função na sociedade, nas diferentes concepções de grupos sociais de interesses distintos.
Hoje a universidade que tem o papel de diminuir a desigualdade social não vem cumprindo esta tarefa e com isso proporcionando uma formação que não atende a demanda da sociedade; pois o atual sistema para manter sua hegemonia de dominação ideológica usa da universidade como ferramenta para que os profissionais sejam adestrados para atuar nas diversas áreas do setor produtivo; porém sem ter a capacidade de questionar e propor mudanças que venham a diminuir essa desigualdade e assim proporcionar uma melhora na qualidade de vida da população mais excluída pelo atual sistema capitalista.
Essa formação que nos é imposta e que claramente vem a atender a demanda do mercado coloca os profissionais recém formados nas mãos das multinacionais, transformando-os em meras marionetes, que proporcionam cada vez mais lucro a essas empresas, sendo que essa riqueza produzida se concentra nas mãos de poucos e sempre é desviada para fora dos pais.
Uma forma de amarrar e manter tal submissividade, é não proporcionando ao estudante uma formação que o faça pensar criticamente, pois o conhecimento passado pelos professores é absorvido como regra e reproduzido em toda a vida profissional, gerando assim profissionais acríticos e alheios a transformação social. Tal inexistência de uma relação entre instituição, indivíduo e sociedade, vem com o intuito de potencializar o individualismo e a corrida incessante pelo status social e econômico.
Com a revolução verde constituiu-se a base tecnológica de um novo ciclo de (des)envolvimento agrícola; as máquinas, a industria química e mais tarde a genética constituíram-se como tecnologias vendáveis ao meio rural e por isso usadas pelas multinacionais como instrumento de dominação. Esse modelo imposto privilegiou o crescimento econômico, mas deixou de lado o envolvimento da sociedade neste crescimento; nascendo então o agrobusines que logo passou a chamar-se de agronegócio, que culminou diretamente para um significativo aumento no número de escolas de agronomia que aplicavam um modelo de ensino que forma profissionais incompletos, inseguros e incapazes de organizar comunidades ou sistema de produção, sendo estes profissionais habilitados somente ao manuseio de tecnologias prontas, comprovando assim que a formação profissional ficou alienada a mercê do modelo de (dês)envolvimento brasileiro. Assim podemos notadamente comprovar que o engenheiro agrônomo que se “forma” na universidade, e começa a atuar na sociedade, está longe de ter um perfil ideal que contemple a demanda da mesma. Para isso seria necessário um profissional de sólida cultura, alto preparo humanístico, elevado conteúdo político e de formação curricular generalista; proporcionando assim a esse profissional um agudo senso critico, criatividade, inovação, capacidade de geração de tecnologia e condições para implementar a transição do atual modelo para uma agricultura mais branda, integrada, permanente e em harmonia com o homem e a natureza.

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